O problema que Florianópolis não pode mais empurrar para depois
Confira na íntegra o artigo do Presidente do Sinduscon Grande Florianópolis, Carlos Berenhauser Leite, publicado nesta quarta-feira (28), no Jornal ND.
Florianópolis construiu sua imagem sobre ativos preciosos. Poucas capitais no mundo podem se dar ao luxo de garantir a visitantes e moradores, ao mesmo tempo, qualidade de vida, segurança, serviços e oportunidades – tudo com a possibilidade de ver paisagens deslumbrantes a partir de qualquer janela. Mas há um item dessa equação que precisa ser enfrentado com urgência e seriedade. Problemas de saneamento básico podem comprometer nossos diferenciais em futuro não tão distante.
Verão após verão, o mapa da balneabilidade vira uma espécie de boletim informal da nossa infraestrutura. Quando aparecem manchas vermelhas em locais emblemáticos, não estamos falando apenas de um problema ambiental. Estamos falando de turismo prejudica
do, de moradores expostos a riscos sanitários e de uma economia que perde valor.
A Capital avançou, é verdade. Hoje, praticamente toda a população tem acesso à água e pouco mais de 60% do esgoto é coletado e tratado. Mas isso ainda significa que uma parte relevante da cidade segue dependendo de soluções individuais, como fossas, muitas vezes sem fiscalização adequada, ou simplesmente convivendo com sistemas sobrecarregados, especialmente nos períodos de alta temporada.
O problema não é só técnico. Florianópolis cresce, recebe cada vez mais visitantes, adensa bairros inteiros e, ainda assim, trata o saneamento como se fosse uma obra invisível, daquelas que podem sempre ficar para depois. O resultado é conhecido: rios e lagoas pressionados, praias que oscilam entre próprias e impróprias, e um custo silencioso para a saúde pública.
Saneamento não é um tema “chato” de planilha. É política de desenvolvimento. Cada real investido nessa área retorna em valorização urbana, em turismo mais qualificado, em menos internações e em mais qualidade de vida. Não por acaso, as cidades que resolveram essa equação há décadas colhem hoje os frutos.
Florianópolis precisa fazer o básico: concluir as obras em andamento, ligar mais casas à rede de esgoto onde ela já existe e parar de fingir que o problema se resolve sozinho. Sem isso, a cidade continuará convivendo, verão após verão, com praias interditadas, rios doentes e uma conta que acaba sempre sobrando para a população.
Jornal ND – 28/01/2026 – Edição 6.190.

