Nossos hotéis pedem socorro


Neste momento de convulsão política no Estado – em que a governabilidade está sendo colocada à prova talvez como nunca na história de Santa Catarina – e em que as eleições fazem com que o executivo e o legislativo municipais ajam com extrema cautela, o setor hoteleiro da Grande Florianópolis se vê obrigado a exigir, no mínimo, tratamento igualitário no que se refere às medidas sanitárias restritivas impostas pelo Governo e referendadas pela Prefeitura. Uma situação que só piora a catastrófica crise do setor causada pela pandemia, num período de pré-temporada em que os feriadões e fins de semana, principalmente, poderiam dar um alívio no caixa e também garantir empregos e salários em dia. 

Senão vejamos: hotéis e pousadas estão restritos a 60% de ocupação e também não podem utilizar mesas e guarda-sóis na areia da praia, como liberado para bares e restaurantes. Porém, condomínios e prédios usados para hospedagem, por aplicativos ou não, têm sua ocupação liberada. Ao mesmo tempo em que os hotéis e pousadas cumprem rigorosas regras de higienização e são fiscalizados, esses condomínios e prédios não são obrigados a qualquer protocolo. 

Trocando em miúdos: enquanto hotéis e pousadas têm ocupação limitada e fiscalização rigorosa, além de manterem protocolos rígidos – boa parte desses protocolos criados por eles próprios – para proteger não só os hóspedes mas também os colaboradores, condomínios e prédios usados por aplicativos como o Airbnb não têm qualquer restrição, não sofrem fiscalização e também não estabelecem protocolos próprios para a prevenção ao coronavírus. 

Voltando ao começo: a quem os hotéis vão apelar? A quem, nos governos estadual e municipal, deve colocar seus argumentos e pedir a mudança das regras? O que temos sentido, mesmo com reportagens elucidadoras como a que este ND publicou na edição da última terça-feira, é que o setor hoteleiro não tem a quem apelar e afunda na crise sem que o poder público, o único que pode jogar a boia da salvação, esteja ouvindo o seu SOS. 

Fica aqui, portanto, o apelo do Floripa Sustentável para que Governo do Estado, Prefeitura e Câmara ouçam o clamor de empreendedores e trabalhadores do setor hoteleiro e acabem com essas regras descabidas que usam dois pesos e duas medidas.

Zena Becker – Presidente do Movimento Floripa Sustentável

Artigo publicado no jornal Notícias do Dia, seção Opinião ND, em 05/11/2020.

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Categoria(s) Desenvolvimento Econômico, Desenvolvimento Social, Geral, Saúde da Cidade, Turismo