Estação de Tratamento de Efluentes do Sul da Ilha segue inoperante após 18 anos e mais de R$200 milhões investidos


Há 18 anos, o Sul da Ilha de Florianópolis aguarda por uma estrutura essencial para o desenvolvimento sustentável da região: a Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) prometida pela Casan em 2007. Apesar do investimento já ultrapassar os R$217 milhões, a obra permanece sem previsão para entrar em operação. Enquanto isso, mais de 85 mil moradores continuam dependendo de fossas e soluções improvisadas para o esgoto doméstico.

O tema voltou à pauta nesta semana com a reportagem publicada pelo jornal ND, que detalha os sucessivos entraves da obra, que já foi paralisada seis vezes desde o início da construção, e evidencia a inoperância de uma estrutura com quase 90% do concreto armado finalizado. Segundo a matéria, apenas 30% do sistema geral (que inclui redes coletoras e estações elevatórias) foi concluído até agora.

O Movimento Floripa Sustentável, que acompanha o tema desde sua criação, reforça a urgência de um pacto técnico e institucional que coloque fim a esse impasse. Na reportagem do ND, Carlos Leite, presidente do Sinduscon da Grande Florianópolis e um dos fundadores do Movimento, expressa preocupação com a incapacidade da sociedade civil de construir consensos e viabilizar soluções técnicas para o problema. “A nossa preocupação é a falta de capacidade que a sociedade florianopolitana está tendo ao longo dos últimos 18 anos, período em que está sendo construída essa Estação de Tratamento, de achar uma solução para esses problemas”, afirmou Carlos ao ND.

Desde 2008, quando a construção foi iniciada, a ETE enfrentou paralisações por conta de entraves ambientais e indefinições sobre o destino final do efluente tratado. O projeto original previa o lançamento próximo ao manguezal do Rio Tavares, mas os órgãos ambientais questionaram o impacto da proposta. Alternativas como emissários submarinos — tanto na praia do Campeche quanto na Baía Sul — chegaram a ser discutidas, mas nenhuma decisão foi efetivada.

“O esgoto continua sendo produzido diariamente, enquanto seguimos em um impasse. A estação pode até ser concluída, mas não tem autorização para lançar o efluente. Então, para quê construir? A solução precisa ser completa”, pontuou Carlos Leite.

Para o Floripa Sustentável, este caso simboliza a desconexão entre o crescimento urbano e o planejamento de infraestrutura básica. “Já tivemos episódios trágicos como o despejo de esgoto na Lagoa da Conceição. A ETE do Sul da Ilha é mais um alerta sobre como estamos deixando que decisões fragmentadas e a ausência de diálogo emperrem soluções coletivas”, pontua o coordenador geral do Movimento, Roberto Costa. 

O FS continuará acompanhando de perto o andamento desta pauta e reforça seu compromisso em promover o diálogo técnico, institucional e responsável em prol de uma Florianópolis mais sustentável para todos.

*Com informações do Jornal ND 

Compartilhe:
Categoria(s) Geral, Saneamento