Educação Digital: Florianópolis decide seu lugar no século 21


Confira na íntegra o artigo do coordenador de Desenvolvimento Econômico do Floripa Sustentável e Presidente do Conselho Municipal de Educação, Neri dos Santos, publicado nesta quinta-feira (25), no Jornal ND. 

Na reunião de hoje do Conselho Municipal de Educação, Florianópolis dará um passo decisivo ao regulamentar a Política de Educação Digital e Midiática da Rede Municipal de Ensino. Não se trata apenas de aprovar um documento técnico. Trata-se de definir qual projeto de futuro queremos para nossas crianças e jovens. Vivemos em uma sociedade estruturada por dados, algoritmos, redes e inteligência artificial. As decisões econômicas, políticas e culturais passam, cada vez mais, pelo ambiente digital. Ignorar essa realidade na escola seria afastar a educação da própria vida.

O novo Referencial Curricular organiza a educação digital a partir de três eixos já reconhecidos nacionalmente: Pensamento Computacional, Mundo Digital e Cultura Digital. Isso significa formar estudantes capazes de compreender como a tecnologia funciona, usar ferramentas de maneira crítica e produzir conhecimento no ambiente digital. Mais do que usuários, formar cidadãos conscientes.

A proposta também incorpora direitos digitais, ética, proteção de dados e tecnologia assistiva. Em outras palavras, não se trata de “ensinar informática”. Trata-se de formar cidadãos preparados para agir com responsabilidade em um mundo hiperconectado. Importante destacar que a regulamentação está alinhada à Política Nacional de Educação Digital (Lei 14.533/2023), à BNCC e às Diretrizes Curriculares Nacionais. Florianópolis não está improvisando; está assumindo protagonismo ao regulamentar, em nível municipal, uma agenda estratégica para o país. Outro ponto relevante é a prudência pedagógica. O modelo prevê implementação progressiva: nos anos iniciais, consolida-se o letramento digital; nos anos finais, amplia-se a abordagem por projetos interdisciplinares. Não há ruptura abrupta, mas evolução planejada.

A exclusão digital hoje não é apenas tecnológica – é social e democrática. Quem não compreende o ambiente digital tende a ocupar posição passiva na sociedade. Ao estruturar uma política pública consistente, o município contribui para reduzir desigualdades e ampliar oportunidades. Se no passado alfabetizar significava ensinar a ler e escrever, hoje alfabetizar digitalmente significa garantir participação plena na sociedade contemporânea. Florianópolis tem tradição em inovação e tecnologia. Agora, dá um passo para que essa vocação esteja presente também na escola pública, assegurando que todos os estudantes – e não apenas alguns – tenham acesso a competências essenciais para o século 21.

Regular a educação digital não é seguir uma tendência. É assumir responsabilidade histórica. A decisão do Conselho Municipal de Educação sinaliza que a cidade escolheu liderar, e não esperar.

Jornal ND – 25/02/2026 – Edição 6.214. 

Compartilhe:
Categoria(s) Educação, Geral