Pacto de mobilidade completa 12 anos sem sair do papel
A edição desta terça-feira (3) do jornal impresso da ND destacou os 12 anos da iniciativa que prometia integrar o transporte coletivo da Grande Florianópolis. Criada em 9 de setembro de 2014, a Região Metropolitana de Florianópolis (RMF) foi instituída com a proposta de promover a integração entre nove municípios: Águas Mornas, Antônio Carlos, Biguaçu, Florianópolis, Governador Celso Ramos, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, São José e São Pedro de Alcântara.
Apesar da proposta de melhorar a mobilidade urbana e facilitar o deslocamento entre as cidades, a iniciativa ainda não se concretizou. Ao longo dos anos, o projeto esbarrou em entraves políticos e mudanças na estrutura de gestão metropolitana, que comprometeram a continuidade do planejamento. Assinado pelo então governador em exercício, Nelson Juliano Schaefer Martins, o pacto representava um primeiro passo para buscar soluções conjuntas para os desafios de mobilidade da região, que é uma das prioridades do Movimento Floripa Sustentável.
Entre 2013 e 2015, foi elaborado o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis (Plamus), que apresentou propostas para a implantação de um sistema integrado de transporte regional. Algumas das soluções previstas eram a organização de linhas alimentadoras e troncais, corredores exclusivos para ônibus e a conexão entre terminais metropolitanos. No entanto, mesmo com os estudos concluídos em 2015, as medidas não avançaram como planejado.
Em 2018, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) retirou o projeto de integração da pauta, após o governo estadual recuar da proposta em meio à resistência de prefeitos da região. No ano seguinte, a extinção da Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis (Suderf), responsável pelo planejamento metropolitano, representou mais um obstáculo à continuidade das ações.
A reportagem ouviu Cássio Taniguchi, ex-superintendente da Suderf e atual coordenador de Planejamento e Mobilidade Urbana do Floripa Sustentável. Segundo ele, o governo estadual recuou diante da pressão de prefeitos que não desejavam perder o controle político sobre as tarifas e as concessões do transporte coletivo em seus municípios.
Mesmo após 12 anos da criação da Região Metropolitana, a Grande Florianópolis ainda não conta com um sistema unificado de transporte coletivo. A demora na implementação de soluções para a mobilidade regional é um tema acompanhado pelo Movimento Floripa Sustentável, que tem a integração do transporte entre os municípios como uma de suas prioridades. Já foram realizadas ao menos quatro Almoços Estratégicos e missões técnicas, incluindo visitas a Curitiba e Copenhague, para discutir alternativas e conhecer experiências que possam contribuir para o planejamento da mobilidade regional.
Foto: Cristiano Andujar/PMF

